1ª Conferência Nacional de
Assistência Farmacêutica
(Revista Sinfarma de fevereiro de 2001)
Em 9 de novembro de 2000, o Conselho Nacional
de Saúde (CNS) apreciou o pedido de vistas de voto da conselheira
Clair Castilhos Coelho sobre a análise da CPI dos Medicamentos elaborada
pelo conselheiro Mozart de Abreu e Lima. Clair é farmacêutica, professora
de Saúde Pública na Universidade Federal de Santa Catarina e tem
assento no CNS pelo Conselho Nacional dos Direitos da Mulher.
O voto de Castilhos foi elaborado em conjunto
com a Fenafar e levantou alguns pontos que não haviam sido destacados
pelo relator inicial do voto em separado da oposição na CPI dos
Medicamentos, quais sejam:
- O consenso existente entre o relatório final da CPI e o voto em
separado da oposição, recomendando a aprovação do Projeto de Lei
nº 4.385/94, na forma que tomou no substitutivo aprovado pela Comissão
de Defesa do Consumidor, Meio Ambiente e Minorias da Câmara dos
Deputados (Substitutivo do deputado Ivan Valente ao PL Marluce Pinto),
no sentido de iniciar uma mudança nos rumos da Assistência Farmacêutica
no País;
- A referência às práticas de superfaturamento
e cartelização no setor farmacêutico;
- A necessidade de revisão imediata da lista de
medicamentos de referência para o registro de medicamentos genéricos,
tendo como base a Rename, e o estabelecimento de padrões referenciais
terapêuticos e de qualidade, a partir da produção dos laboratórios
farmacêuticos oficiais;
- Que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária
(Anvisa), atendendo ao Conselho Nacional de Saúde, desenvolva e
seja responsável pela aplicação de um programa de informação técnica
aos profissionais de saúde sobre o uso e segurança dos medicamentos
registrados no Ministério da Saúde;
- Recomendação da própria CPI para que o Poder
Executivo realize estudos sobre a "transformação dos serviços das
farmácias em concessões do Estado", objetivo indicado pelo sub-relator
dessa área, deputado Arnaldo Faria de Sá, o que significaria uma
autêntica reversão do quadro problemático verificado no setor farmacêutico
no Brasil;
- Implementação de uma política de Ciência e Tecnologia,
integrando centros de pesquisa, laboratórios oficiais e universidades,
visando à pesquisa e ao desenvolvimento de insumos farmacêuticos
a fim de diminuir gradativamente a dependência externa do País e
criar referência em termos de custos;
- Necessidade de implementação efetiva da política
nacional de medicamentos, visando o atendimento das necessidades
do conjunto da população brasileira, bem como a reorientação da
Assistência Farmacêutica no País.
Após os destaques, a conselheira apresentou proposta
de Resolução baseada nas análises anteriores e ressaltou a necessidade
de que o CNS se posicionasse favoravelmente à convocação da Conferência
Nacional de Assistência Farmacêutica, a ser realizada em 2001, cujo
objetivo deve ser a definição da política de Assistência Farmacêutica
e de medicamentos para o Brasil.
Para garantir essa implementação, a conselheira
sugeriu a formação de um grupo de trabalho responsável pela organização
da Conferência e indicou a participação da Fenafar. Após a discussão,
tanto o voto de Clair quanto a proposta de Resolução foram aprovados
pelo CNS.
1ª Conferência deve ocorrer em 2001
O debate Insumos e Medicamentos na garantia do acesso, realizado
na Conferência Nacional de Saúde, acabou provocando a convocação
da 1ª Conferência Nacional de Assistência Farmacêutica. Prometida
há quatro anos, durante a 10ª Conferência Nacional de Saúde, essa
atividade pode sair do papel em 2001.
"A realização dessa Conferência é um sonho antigo que finalmente
deve ser concretizado", diz o presidente da Fenafar, Norberto
Rech. Nos últimos tempos, o Conselho Nacional de Saúde (CNS) também
vinha lutando pela sua concretização.
Junto com ela, outro evento deve ser realizado: a 1ª Conferência
de Vigilância Sanitária, cuja realização foi aprovada na Conferência
Nacional de Saúde. O objetivo dessas atividades é definir uma política
de assistência farmacêutica e de medicamentos para o Brasil. Para
que elas efetivamente sejam realizadas, o CNS organizou um grupo
de trabalho do qual a Fenafar faz parte.
Tirar as propostas do papel e trazê-las
para o cotidiano é agora o maior desafio para a sociedade. Muitos
assuntos aprovados durante a 10ª Conferência foram engavetados pelo
governo, como controle social e integralização da saúde, que requerem
muita luta para ser adotados.
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